Espaço para crianças

O medo da violência urbana e a falta de tempo para grandes deslocamentos fazem com que o brasileiro busque, cada vez mais, desfrutar em casa os momentos de lazer com a família, antes compartilhados em clubes e em espaços públicos como praças e parques. Atentos a essa mudança de comportamento, os incorporadores têm investido, nos últimos anos, em empreendimentos residenciais que privilegiam grandes áreas de lazer, voltadas principalmente para o entretenimento de crianças e adolescentes.
Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em condomínios de alto padrão, e até em alguns voltados para a classe média, as áreas de lazer já oferecem espaços especialmente concebidos para a diversão da criança em todas as suas etapas de desenvolvimento, além daqueles tradicionais, como piscinas, quadras e playground. Em outros, praças internas, com paisagismo caprichado, permitem que a meninada brinque solta, como provavelmente fizeram nas ruas seus pais e avós.
Mesmo nos empreendimentos residenciais do segmento econômico, o lazer seguro das crianças não é esquecido e equipamentos como playgrounds e quadras nas áreas internas dos condomínios são uma exigência do cliente. Para o presidente em exercício do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Creci-MG) e diretor da Sótão Imóveis, tradicional imobiliária da capital, Paulo Tavares, a concepção de espaços de lazer, não só para crianças, mas para toda a família, dentro dos limites do condomínio, é uma tendência de mercado imposta pelo modo de vida moderno.
“Hoje, principalmente nas grandes cidades, estamos mais sujeitos à violência, que, a despeito das ações implementadas pelo poder público, cresce a cada dia, o que impossibilita que as famílias busquem o lazer em espaços públicos. Por outro lado, freqüentar um clube, que era um hábito do mineiro, está também mais difícil, porque quase ninguém tem tempo e disposição para enfrentar grandes deslocamentos e um trânsito complicado. Por isso, ter acesso a um lazer seguro, com comodidade, é um dos itens que mais influenciam na decisão de compra de um cliente”, atesta. Estado de Minas, 26/10/08 |