Enfrentando a crise
A crise de crédito ainda não atingiu as obras públicas em andamento, para a expansão da ínfra-estrutura e a construção de habitação popular. Elas continuam sendo executadas com as verbas da União, dos Estados e dos Municípios. Mas as construtoras deste segmento necessitam de crédito para manter a normalidade de suas operações e investir na preparação das obras futuras. E os governos das três instâncias precisam conter ao máximo suas despesas, a fim de assegurar que nos Orçamentos de 2009 haja ainda mais recursos à expansão da infra-estrutura e da habitação popular. Vale destacar: no momento em que a crise afeta os investimentos privados, as obras públicas serão decisivas para o crescimento do país. No segmento da construção para o setor privado, a crise provocou o adiamento de decisões de investimento futuro, até que a liquidez se normalize. Algumas obras já decididas tiveram sua implementação adiada. Este mercado também precisar ser irrigado com financiamentos. De outro lado, a falta de crédito não atingiu os recursos da Caderneta de Poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço dirigidos ao financiamento habitacional. O crédito imobiliário continua garantido e tudo indica que, neste ano, os recursos da Poupança e do FGTS destinados a financiar a moradia, juntos, poderão chegar ao recorde de R$ 40 bilhões. A Caixa e alguns bancos inclusive asseguram que não elevarão os juros nesses financiamentos. Outros bancos aumentaram as taxas de suas linhas de crédito imobiliário geradas com recursos próprios. Certamente voltarão atrás no momento em que houver liquidez e o aumento dos recursos motivar a volta da competição entre as instituições financeiras para ofertar empréstimos habitacionais. Espera-se do governo que mantenha a vigilância sobre a chamada "exigibilidade": a obrigação das instituições financeiras de aplicar ao menos 65% dos depósitos da Poupança no crédito imobiliário. A edificação de empreendimentos imobiliários em andamento prossegue, mas a indústria imobiliária também necessita de crédito para comprar novos terrenos, preparar projetos e lançar empreendimentos. O governo precisa olhar com muita atenção para dois setores fundamentais ao crescimento econômico: a agricultura e a construção. Eles precisam receber financiamento abundante para investimentos e capital de giro. Crédito não é benesse, sendo concedido mediante análise de cadastros e oferta de garantias. Trata-se de condição necessária para a manutenção da atividade econômica, dos empregos e da renda. A melhor resposta do Brasil à crise financeira é buscar manter ao máximo a liquidez e restabelecera confíança nos investimentos. Jornal Folha de São Paulo, 12/10/08 |