Setor imobiliário ignora crise e vai crescer 20%
Apesar do cenário internacional incerto, as vendas aquecidas no estado de São Paulo indicam ao setor imobiliário a previsão de crescimento para 20% este ano na capital paulista. Já no interior do estado, que sofre menos restrições da legislação urbana, a estimativa é crescer 25% em 2008, em relação ao ano passado. No primeiro semestre, as vendas cresceram 33% e os lançamentos, 26%. A média do índice de Venda Sobre Oferta (VSO), de 16,1%, foi a maior dos últimos cinco anos. "O mercado imobiliário brasileiro tem salvaguardas, mas está atento ao cenário externo, que deve tornar alguns processos mais lentos, como, por exemplo, o desenvolvimento do mercado secundário no País", afirmou João Crestana, presidente do Sindicato da Habitação (Secovi). Em sua opinião, o atual cenário de expansão macroeconômica do Brasil deve fazer com que o País seja um dos mercados menos afetados pela crise, exceto pela fuga de investimentos das ações de empresas do mercado imobiliário listadas em bolsa. "Os investidores estrangeiros, que representavam 69% das ações ofertadas nos IPOs (abertura de capital, na sigla em inglês), retiraram o capital investido porque precisavam recuperar a liquidez perdida na crise dos mercados norte-americano e europeu. Mas a expectativa é que os investimentos sejam retomados", comentou. As participações físicas, de investidores institucionais, empresas ou fundos imobiliários aumentaram. "Atualmente, 68 fundos de investimento imobiliário estão ativos no País, com aportes de R$ 2,5 bilhões", ressaltou Ricardo Yazbek, presidente da Federação Internacional das Profissões Imobiliárias (Fiabci Brasil) e vice-presidente do Secovi. Ao comparar os mercados de crédito imobiliário dos dois países, Eduardo Gorayeb, diretor presidente da Rodobens Negócios Imobiliários, disse que os Estados Unidos têm um mercado de hipotecas mais maduro, enquanto no Brasil ainda é incipiente. "No Brasil, há lentidão na concessão de crédito e o País ainda não avançou no mercado de hipotecas", disse. "Além disso, os financiamentos no Brasil foram lastreados em valores reais, não em valores secundários." DCI, Cynara Escobar, 17/09 |