Uso da madeira de florestas plantadas pode colaborar com redução do efeito estufa
Na construção Civil, a opção por trabalhar com a madeira de florestas plantadas leva em conta que esse é um material renovável – fator de peso em uma indústria responsável pela extração de grande parte das matérias-primas naturais do planeta. O uso de espécies como o pinus e o eucalipto (comercialmente mais comuns entre as madeiras de florestas plantadas) é também considerado ambientalmente correto porque ao invés de gerar gás carbônico, é capaz de colaborar com a retirada desse gás da atmosfera.
“Um metro cúbico de madeira estoca uma tonelada de carbono”, exemplifica o professor Carlos Alberto Szücs, coordenador do Grupo Interdisciplinar de Estudos da Madeira (GIEM), ligado ao Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ele lembra que é na formação da madeira que se dá a captura do dióxido de carbono (CO2) – é o chamado seqüestro de carbono, conceito consagrado pela Conferência de Kyoto com a finalidade de conter e reverter o acúmulo de CO2 na atmosfera, para colaborar com a redução do efeito estufa.
“Sabemos, pelo conhecimento científico da formação do material madeira, que é no processo fisiológico de crescimento das árvores, no momento da fotossíntese, que se dá a captura do dióxido de carbono (CO2). Sabemos também que é na formação do tecido lenhoso que esse carbono fica seqüestrado”, explica o professor. Por esse motivo, é preciso encontrar maneiras de armazenar o carbono em longo prazo, fazendo tratamento adequado da madeira para produção de bens duráveis, como devem ser as moradias. Se a madeira apodrece ou queima, volta ao ciclo do carbono.
Com conquistas como o aprimoramento da tecnologia de Madeira Laminada Colada e estruturação de um conceituado laboratório de estudos em madeira, o professor lamenta que o uso desse material ainda seja restrito no País. Ele critica também a inexistência de incentivos fiscais às construções em madeira. “A construção em madeira de florestas plantadas deveria ser reconhecida como crédito de carbono estocado”, considera, complementando: “E deveria ser recompensado na forma de incentivos a esse sistema construtivo, pois mesmo que um dia, após ter cumprido a sua função por tempo prolongado, e de ter sido inclusive reutilizada, a madeira chegar a se decompor, e o carbono retornar à atmosfera, sabe-se que ele poderá ser capturado e seqüestrado por outra árvore, entrando em um ciclo de equilíbrio ambiental”.
Fonte: Revista Habitare (dez/08) |