O crédito destinado à construção civil representa apenas 3% do volume total, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Assim, há espaço para o crescimento do setor nos próximos anos, de acordo com ele, porque o País possui déficit habitacional. "A boa notícia é que não temos bolha subprime no setor habitacional brasileiro. Está longe disso", disse durante discurso no 7º Seminário da Indústria Brasileira da Construção - ConstruBusiness 2008. A construção civil e o setor automotivo estão, segundo o ministro, entre as áreas que mais rapidamente reagem à falta de crédito. "Não podemos deixar cair a peteca nesses setores", afirmou.
Mantega argumentou que durante anos o segmento ficou estagnado e que apenas recentemente conseguiu "tomar pulso". Um dos pontos positivos da construção civil, de acordo com o ministro, é que o setor não necessita de importação de produtos para continuar a crescer e que, além disso, é um grande gerador de empregos. "O governo vai continuar a prestigiar a construção civil colocando recursos da Caixa Econômica Federal à disposição", informou, acrescentando que a previsão de financiamento imobiliário da instituição para este ano é de R$ 30 bilhões.
O ministro comparou os dados do mercado doméstico com os dos Estados Unidos, onde, segundo disse, houve saturação. "No Brasil, a situação é oposta, pois ainda estamos engatinhando", contrapôs ."Mesmo que a demanda caia nos próximos anos e a área não consiga registrar a mesma taxa de expansão vista nos últimos anos, em torno de 10%, haverá crescimento num ritmo menor. Se for uma expansão de 8% ao ano, está ótimo", considerou. "Não sei se é exagerado dizer que o Brasil é quase um canteiro de obras", acrescentou.
Mantega lembrou que no primeiro semestre deste ano houve uma elevação de preços generalizada em função do choque de alta das commodities no mercado internacional. Ele destacou como exemplos mais evidentes o plástico e o ferro. "Agora essas coisas estão caindo e os custos estarão muito mais reduzidos", disse. "Se havia perigo de elevação de preços setorial, esse perigo está afastado pela acomodação do setor", acrescentou.
Créditos tirbutários. Segundo Mantega, o Ministério da Fazenda e a Receita Federal estão montado um esquema para agilizar a devolução de créditos tributários. "Isso é capital de giro na veia", disse, sem dar mais detalhes. Ele salientou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já liberou R$ 100 bilhões este ano; R$ 90 bilhões que já estão no mercado e mais R$ 10 bilhões que serão integrados ao sistema a partir de agora - ontem foi anunciada linha de crédito de R$ 6,2 bilhões para capital de giro de empresas..
Brincando com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, também presente no evento, Mantega afirmou que o presidente do BNDES está rindo, pois o Tesouro também vem repassando recursos para a instituição. "E ele ainda continua reclamando", brincou
Em seu discurso o seminário na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Mantega disse que o governo federal tem o "desafio" de fazer com que o País cresça 4% em 2009. Ao contrário de discursos anteriores, em que essa taxa de crescimento era dada como certa pelo governo, Mantega mostrou que essa meta demandará novas medidas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Jornal do Comércio, 02/12/08