Imóveis: locação deve ganhar com crise econômica
O presidente do Sindicato da Habitação (Secovi Rio), Pedro Wähmann, afirmou que o segmento de locação de imóveis pode se beneficiar, por escassez de crédito, com a crise internacional. "O aluguel passa ser uma alternativa muito interessante. Muita gente que antes conseguia comprar a casa própria, com essa redução do crédito, não vai ter mais essa possibilidade e nós achamos que o aluguel é uma forma de se morar dignamente", comentou, acrescentando que o setor está discutindo todas as alternativas para levar ao governo federal meios para se implantar no país uma política mais favorável a investimentos em imóveis par fins residenciais e de locação. Apesar de afirmar não querer entrar em polêmica com qualquer autoridade do governo federal, Wähmann, não pode negar que está assistindo no país uma redução de financiamento. Citou, como exemplo, a Espanha, onde o volume já apresenta queda de 40% nos financiamentos. A mesma coisa, segundo ele, acontece na Itália. "Tenho a impressão que vai faltar crédito em todos os setores, não é só no setor habitacional. E isso vai ter reflexo negativo, não tenho a menor dúvida. No Brasil, ainda não estamos sentindo essa redução. Mas, grandes empresas construtoras já estão revendo seus planejamentos para reduzir o volume de imóveis lançados". O presidente do Secovi Rio, que está participando do II Fórum Internacional de Administradores de Imóveis, que termina no próximo dia 29, no Rio, disse ao MONITOR MERCANTIL que o setor ainda tem um pouco de "gordura para queimar". Lembrou que entre os anos de 2006 e 2007 o setor registrou crescimento de 100%. Por isso, diz, "se para nós houver uma queda entre 30% ou 40%, nós ainda vamos ter uma margem razoável para continuar a construir", comentou, acrescentando que não se pode mais esperar um crescimento espetacular que o setor estava tendo mas, segundo ele, "que vai haver uma desaceleração, isso vai ocorrer, com certeza". Para Wähmann, o problema da crise é a desconfiança mundial dos investidores no sistema financeiro. Por isso, frisou que a palavra chave mais usada no momento é a cautela, uma vez que os financiamentos circulam com menos velocidade do que antes. "Tenho a impressão que não há ninguém no mundo que nesse momento possa apontar com clareza qual é o fim da crise e o início da retomada do crescimento. Acho que o momento é de expectativa, de muita observação, para que se possa fazer um juízo mais real do que vem pelo futuro". Monitor Mercantil (Marcelo Bernardes), 03/11/08 |